Serra Talhada
Serra Talhada
Vem simbora mais eu
Lá pro aconchego do sertão
Vamos dançar o baião
Sentir o cheiro do desejo
No arrasta pé até amanhecer o dia
Aí que alegria vivenciar todo dia
Essa chama da paixão.
Só sente a semente
O plantar o pé da gente
Tão de repente que nem sente
Se é no pé de serra
No lajeiro, na grota do xaxado
Onde nasceu o rei do cangaço
O Virgulino Lampião.
Vem, vem sentir o vento
Que corre sem cerimônia
Não é de fazer vergonha
A sede na seca!
A falta da mata verde
As criações a definhar
Por falta de chuva, não é de trabalhar.
Se você não conhece o meu nordeste
Não sabe o significado cabra da peste
Não é um palavrão
É apenas uma referência
A um matuto trabalhador
Mesmo com fome e muita dor
Não desisti do seu destino que é lutar.
Lutar por um mundo justo
Sem injustiça e roubalheira
Que não mede a beira
Nem o fundo do poço
Luta, vai fundo até o pescoço
Não foge do enrosco
Mas não procura confusão.
Sou matuto com muito orgulho
Sou do sertão
Sou nordestino
Sou Pernambucano
Sou Serratalhadense
Sou do xaxado
Terra de Lampião.
Ozielleite, 16/02/2020
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