Barbante de Tramela de Porta

²Barbante de Tramela de Porta

Lá no canto da serra
Onde o vento faz a vorta
Fica uma casa simples
Pobre, porém não é morta
É no sertão nordestino,
Onde certo é o destino
E a cultura exporta.

É uma casa com reboco
Chão batido no barro
Molhada e varrida
Mas com água de jarro
Que buscou na cacimba
Lata d'água e tarimba
E veloz como um carro.

Dois bancos de madeira
Três silos resistentes
Feijão, arroz e farinha
Que dar pro ano pra frente
Pra suprir a família
Faz parte da mobília
Ajuda os parentes.

Na sala se ver quatro
Tornos de armar rede
Retratos e enfeites
Pendurados na parede
O crucifixo e a vela
O autar posto revela
Oração! Quem tem fé pede.

Bem próximo ao altar
Cadeira preguiçosa
E mais três taboretes
Rede espreguiçadera
Tudo junto na tulha
Onde o milho debulha
Lugar onde tem prosa.

Na conzinha de longe 
Se ver, fogão e brasa
Muito fogo na lenha
Panela de barro e asa
De frango caipira
Que ferve e inspira
O aroma da casa.

O café é servido
Na chaleira fervente
Coado e espremido
No pano muito quente
Pra garantir o sabor
Na boca e o frescor
Serve a toda gente.

O pote de barro e
Canecas penduradas
Numa fileira de paus
Todas ornamentadas
Com a rudia de pano
Todas no mesmo plano
De uma mesa furada.

O tripé enfeitado
As panelas sortidas
Todas enfileiradas
Brilhando cheias de vida
Enfeitando a conzinha
Herança da vozinha
A matriarca querida.

Do lado vê o pilão
Baraúna feito a mão
Onde soca o milho,
Pra fazer a refeição
Xerém, angu e canjica
Prato gostoso implica
Repetir com perfeição.

Lá na velha dispensa
Litro de querosene
Pra encher o candeeiro
Quando o tempo ordene
Usado ao escurecer
Basta ao menos merecer
E o vento não condene.

A mesa de refeicão
De madeira comprida
Madeirada a mão
Longas e estendidas
Rodeada de bancos
E tirados de troncos
De árvores escolhida.

Bem próximo a sala
A cristaleira brilhosa
Três portas de vidros
Repartições engenhosas
Copos, xicara e pratos
Os talheres exatos
De forma glamurosa.

No quarto, uma cama grande
E seu colchão de palha
O baú quadrado que
Guardas as roupas sem falha
O sabão e a colônia
Tira toda insónia
Dormir na cama grisalha.

Se ver atrás da porta
A espingarda soca
Soca,é matadeira
Que nem uma biroca
Não erra nenhum tiro
E tudo me refiro
A casa, não biboca.

Um lugar muito simples
Ainda tem uma horta
Uma casinha amarela
Tem janelas e portas
O que prende a fechadura
É um barbante que segura
A tramela da porta.

                            ozielleite
  

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